quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O ÚLTIMO ABRAÇO ANTES DA DESERÇÃO


| Havia a ruptura, as dúvidas,
Quando | a anticonjuntura, a esperança,
tudo \ desejos flambando na densidade
começou \ hiperbólica das impossibilidades
/ e também uma pitada havia de angústia


Receita do "Projeto Raul Do Que?!" (do que mesmo?), ou talvez apenas os passos para uma esquizofrenia intempestiva socialmente aceita, mas ainda assim uma receita. Que ateste o filósofo ermitão, receitas marcam um padrão, e esse padrão é sem receita. Prefiro chamar de prontuário.
Bem, chegou a hora de cultivar minha horta de dúvidas nesse latifúndio de incertezas que é a vida. A teleologia de si mesmo que se expande numa hecatombe egoísta e acaba por romper com esse ser cartesianamente dialético que nos fazem acreditar que somos.

E assim corríamos nos ponteiros de 26 de março quando a expansão começou, sem rompimentos, o desertor me abraçou e repetiu :
"Vai nessa rapaz, te desejo toda a sorte do mundo", eu sou um maldito azarado, daqueles que só por precaução jogam um anti- concepcional na privada antes de esporrar nela, por isso qualquer "boa sorte" é sempre absolutamente bem vindo.
Ele saltara há poucos segundos do banco da frente daquele Golzinho antigo verde-musgo de "Seu Alceu", me deixou um sorriso de perdão estalando entre nosso natural magnetismo de velhos amigos maconheiros, acenou pausadamente, virou as costas e partiu para o centro de Curitiba selando sua escolha.

Pouco mais de quatro horas e meia antes de Rodolfo abandonar definitivamente nosso plano conjunto, chegávamos à BR 376 que liga Ponta Grossa à capital do Paraná. Eu carregava meu fardo “Trilhas e Rumos” de 20,5 quilos no lombo, além de pesadas incertezas que tive medo de colocar na balança, por isso apenas as suportava da maneira menos estúpida possível: resignado. Rodolfo levava em sua mochila, surrada durante quatro anos de aulas de jornalismo, cinco quilos de roupas, livros e entre as meias a leve certeza de que estava tomando a decisão correta.
Era um dia interessante para tentar carona, o sol estava tímido atrás de uma cortina espessa de nuvens ainda mais espessas, vento sossegado para leste e nenhum maldito pingo despencando do céu. Mas o universo quando conspira, o faz numa macabra ironia: duas horas depois de gastarmos os polegares no acostamento da 376 sem nenhuma boa alma para nos carregar dali, eu já começava a acreditar que Rodolfo estava certo: desertar antes da batalha é mais digno do que ser vencido por ela. Mas, diabos, quem liga pra dignidade?! Eu mando a minha descarga abaixo a cada vez que o mundo me faz cagá-la de medo.

Naquele momento achei melhor pensar no motivo para três casais de urubus estarem sobrevoando nossas carcaças nos últimos 25 minutos, algo certamente fedia dentro de mim, eu mesmo podia sentir, mas certamente eles acreditavam menos em nós que nós mesmos. Talvez Rodolfo e os urubus estivessem certos e realmente não fosse o melhor momento para colocarmos em prática o "Projeto Raul Do Que?!", nossa alucinada idéia de praticar aquele jornalismo que nos apaixonou, afinada durante meses de muita maconha e Ronnie Von, pipoca com ovo e Screw Jack, e ainda fazê-lo funcionar nesse esquizofrênico mundo mercantilista de informação rápidas e rasas. Pra falar a verdade, viajar pela América do Sul de carona – mas não sejamos ortodoxos –, com uma barraca como ninho, gastando as poucas horas de sono para escrever reportagens não é algo assim tão simples. Mas eu estava disposto a descobrir isso da maneira mais difícil.

O tempo passava a passos apressados e por isso decidimos nos separar: Rodolfo caminhou duzentos metros adiante e dessa forma oficializamos o divórcio, daqui pra frente era cada um por si, e sem frescuras de litígio. Mas, novamente, não sejamos ortodoxos, quase não acreditei quando cinco minutos depois o Golzinho de “Seu Alceu” diminuiu a velocidade e contornou à direita parando a poucos metros de mim.
“Opa, ta indo pra onde?”, perguntei assim que a porta se abriu.
“Fazenda Rio Grande”.
“E isso é onde?”.
“Pra frente de Curitiba”.
“Opa, me leva até Curitiba?”
“Entra aí”.
“Escuta”, disse antes de abrir a porta, “tem lugar pra mais um? Meu amigo está ali na frente e também está tentando ir pra capital, já estamos a mais de duas horas e meia aqui”. Ele pensou por quatro segundos e topou. Acenei para que Rodolfo corresse até o carro e logo estávamos cortando a 80km/h os tons amarelo-oliva dos arredondados morros dos Campos Gerais.

Um representante de peças de 65 anos, pai de um maestro de 36, de um engenheiro mecânico formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), uma agrônoma que exerce os dotes de veterinária numa fazenda de vaca leiteira nos Estados Unidos, e da caçula de 20 anos que é apenas carinhosa e “cabeça de bagre”. Seu Alceu foi nosso último elo, meu e de meu parceiro desertor: para mim a fugaz segurança de ter o talvez melhor companheiro de viagem por 200 quilômetros, e a última amarga pincelada para Rodolfo no “Projeto Raul Do Que?!”, nomenclatura escavada por ele após um brain storm insano.

*Continua.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Projeto Raul Do Que?!


No começo de 2008, emputecido com a vida e cheio de epifanias no coração, joguei uma mochila de vinte e cinco quilos no lombo e fui viajar. De carona. Com o dedão apontando o sul, em um mês fui de Ponta Grossa/PR até Santiago no Chile. A idéia era espairecer o destino, testar as curvas e escrever algumas reportagens durante o trajeto. A expedição se chamou “Projeto Raul Do Que!”, nomenclatura desencravada dos sórdidos lapsos mentais de meu grande amigo, e também jornalista, Luis Lopes. Os textos foram publicados num blog homônimo e nunca editados, nem por mim. Mas agora, esse liquidificador de jornalismo de viagem com molho gonzo e tempero melancólico vai aparecer por aqui. Os textos são razoáveis, esteticamente capengas, mas guardam alguma profundidade. E muita inocência com esse nobre ato de exercitar a hipocrisia que, em geral, é o jornalismo. Com muita firula e nada da secura que aprendi ser imprescindível para meu texto, as reportagens lembram uma aventura que mudou minha vida, de verdade, um lance que marcou demais e aquelas letras gravaram uma fase importante tanto na minha história, como nas minhas estórias. A partir do próxima postagem vai começar, portanto, o “Projeto Raúl Do Que?!”, publicado aos poucos, retalhado, para não cansar.


Banda Gentileza

Há muito tempo atrás eu baixei o "Heitor e a Banda Gentileza - Ao vivo na GGG", umas músicas bacaninhas pra deixar rolando enquanto escrevo. Mas nada de epifânico. Então, quando saiu o "Banda Gentileza" de 2009 e muitas das músicas eram as mesmas não dei tanta atenção. Besteira.

Eis que um dia, na casa de uma nova amiga, o disco começa a rolar tímido, descompromissado e um pouco baixo, figurante na sala. Mas o som era bom, bom mesmo, bom pra caralho. Porra, como era bom. E todos esses caracteres eram apenas pra dizer que o disco está foda demais, puta merda. Deveras recomendado.

BANDA GENTILEZA - 2009Baixe, ouça, compre, conheça: http://www.bandagentileza.com.br/


domingo, 22 de novembro de 2009

Exórdio

Infelizmente tenho de respeitar o seu direito de ser um idiota
mas para minha felicidade as regras não são réguas da honra

É um beijo de morango com sabor de anestesia e efeito depressivo

E com seu olhar bovino marchando com a manada
vai pastando o lixo heróico que te vendem pra engorda

Infelizmente é cada um com a sua hipocrisia
e concedo-me o direito de chafurdar na minha

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os tais corações enjaulados

Como um rasgo negro em um céu de estertor
remoendo cores úmidas num sopro nublado
assim vão amando os corações enjaulados:

corações daqueles
que não desaprendem a amar

Na vigília de estrelas como lauréis passados: canto de signos
há séculos chorados

Nosso enjaulados corações
por poesias

onde o páramo rabisca entre faíscas as memórias
até o alvor inundar as artérias: a pequena imensidão
toma a maré
e o luar

e nós – os corações enjaulados

em algum barco
em alguma deriva
em algum mar

Em um arrepio aceso nos salgados poros abertos
pelo carinho feito em sangue de rosas vermelhas
no vácuo de uma pálpebra enamorada
no silêncio esbravejado de nossos emputecidos corações

corações daqueles que lêem o amor
em letras de saudade

Uma gota suja de mel escorre
como um látego em mãos suaves: o espelho roxo
de nossa melodia
como algoz de alma cintilante: o horizonte em uma torre
de diâmetros estelares
Rindo – uma gotinha suja de mel – Escorre
dentro da lonjura de pele: podre mármore de carne
em esculturas de ossos

corações com asas pálidas pulsando
para o desassossego do vento

desenha plantações de pérolas enluaradas
madurando logo abaixo do esquecimento

E toda manhã o orvalho é suor acinzentado
Estes somos nós – os tais corações enjaulados

corações daqueles que bebem sede
para hidratar as lágrimas

porque nós – os corações enjaulados –
somos fiéis a nossas lágrimas

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Sindicato

Não deu pra largar o cigarro. Ainda. Ele parece um problema pequeno quando a vida brinca de trapezista com seus sonhos e rodopeia em trezentos e sessenta estonteantes, nauseando o coração até ele vomitar todo o amor acumulado. Por isso, resolvi que o conto interminável deveria continuar, emputecido e enamorado, assim como minha vida, de um jeito ou de outro. Caralho.
A merda é que quando o coração entra num processo de limpeza que beira a autodestruição, numa tentativa desesperada, inútil e heróica de arrancar o amor de suas sístoles e diástoles, o corpo, a alma e a existência se concentram nisso. Não restam tantas forças para muita coisa além de viver a rotina e deixar que o processo se complete, pelo sim ou pelo não, bem ou mal.
Por isso resolvi vasculhar meus arquivos mais antigos. Liguei o PC aposentado e encontrei um velho conto, que me rendeu R$800 num concurso literário há uns cinco ou seis anos. Teclei enter e o texto iluminou a tela:

CAPA, CONTRA – CAPA, DEDICATÓRIA, SUMÁRIO E INTRODUÇÃO. PÁGINA 8:
... e introdução. Apoiou então todo o peso do corpo sobre os calcanhares e deixou o fardo distribuir-se sobre a totalidade da sola de seus pés. Caminhou, pé ante pé, iniciando pelo direito até a estante elevada por três sustentáculos de madeira maçaranduba marfim. Retirou o livro que o era necessário com movimentos firmes e precisos da mão esquerda. Voltou a apoiar-se sobre os calcanhares, agora para girar o corpo em sentido anti-horário, e retornar, pé ante pé, novamente iniciando a trajetória com o membro direito. Percorrido o caminho de volta, sentou sobre a poltrona onde mergulhou numa catarse profunda. Abriu o livro. Passou sem dar importância à capa, contra – capa, dedicatória, sumário e introdução. Página 8: ... e introdução. Eu exalto este olhar corajoso. Olhos nos olhos. Pensas que não passo de rabiscos fomentando sentidos diversos. Engana-te. Podes ver minha expressão a cada nova sílaba que me torno, sentir minha voz a cada fonema pronunciado, meu agradável aroma subsiste a estes traços e exala-se no inconsciente. Não mais agüentava o vento, o orvalho pregara a última estaca. Seus dedos rogavam pelo toque; sua alma, pela liberdade. Na tentativa compulsiva de apaziguar os turbilhões antagônicos, correu pelo mesmo corredor a tropeçar nas próprias lágrimas. Ao fundo, a escuridão o aguardava. Suspirou. Manteve-se inerte por segundos, talvez horas, talvez anos. Logo que rompeu sua inércia, sentiu o peso de seus músculos o segurar, prender, amordaçar. Olhou para o chão. Ali estava, onde o havia deixado pouco, ou muito tempo atrás. Desvendou, com olhar retorcido, a tinta onde se lia, após passar a capa, contra – capa, dedicatória, sumário e introdução. Página 8: ... e introdução. Eu exalto este olhar corajoso. Olhos nos olhos. Pensas que não passo de rabiscos fomentando sentidos diversos. Engana-te. Podes ver minha expressão a cada nova sílaba que me torno, sentir minha voz a cada fonema pronunciado, meu agradável aroma subsiste a estes traços e exala-se no inconsciente. Esta é minha maldição. Não sou admirada. Não faço seus caprichos. Posso ver sua empolgação diminuir ao percorrer-me longamente, repetidamente. Sinto suas mãos segurando-me, não como vil objeto desejado das traças, mas como possuidor e escravidão. Repetição. Exatamente, eu abro as lacunas pelos meus traços brandos. Queres adentrar em tuas fortificações? Em teus escombros? Seja sincero! Não penses que não tenho espírito forte para suportar uma recusa. Se quiseres, continua meu parto junto a teus olhos, se não, aborta-me agora. Imediatamente. De página em página, passou dezenas delas sem nenhuma virar. A confraria de suas emoções conspiravam contra sua sensatez. A história lutava contra a amnésia conscientemente provocada. Os fatos mesclavam-se com os dolorosos açoites da indecisão. O negro tomou conta do espaço. Acalentador. O escuro de seu universo, porém, iluminava o abismo da amargura. Largou-o de lado como se descarregasse da alma o peso do corpo. Tomou o corredor quase desfalecido, percorrendo sua extensão no ínfimo de suas vontades, de suas forças. Ao longe o vento uivava, como soprano, uma cantiga irritante, completado pelo orvalho que compunha uma paisagem triste à luz das lembranças sem contorno. Não sabia se eram os pulsos que o deixavam ou ele quem deixava os pulsos. Aquela paisagem o combatia, o expulsava. Percebia que ali logo pereceria sob a potência triste da vida. Não mais agüentava o vento, o orvalho pregara a última estaca. Seus dedos rogavam pelo toque; sua alma, pela liberdade. Na tentativa compulsiva de apaziguar os turbilhões antagônicos, correu pelo mesmo corredor a tropeçar nas próprias lágrimas. Ao fundo, a escuridão o aguardava. Suspirou. Manteve-se inerte por segundos, talvez horas, talvez anos. Logo que rompeu sua inércia, sentiu o peso de seus músculos o segurar, prender, amordaçar. Olhou para o chão. Ali estava, onde o havia deixado pouco, ou muito tempo atrás. Desvendou, com olhar retorcido, a tinta onde se lia, após passar a capa, contra – capa, dedicatória, sumário e introdução. Página 8: ... e introdução. Eu exalto este olhar corajoso. Olhos nos olhos. Pensas que não passo de rabiscos fomentando sentidos diversos. Engana-te. Podes ver minha expressão a cada nova sílaba que me torno, sentir minha voz a cada fonema pronunciado, meu agradável aroma subsiste a estes traços e exala-se no inconsciente. Esta é minha maldição. Não sou admirada. Não faço seus caprichos. Posso ver sua empolgação diminuir ao percorrer-me longamente, repetidamente. Sinto suas mãos segurando-me, não como vil objeto desejado das traças, mas como possuidor e escravidão. Repetição. Exatamente, eu abro as lacunas pelos meus traços brandos. Queres adentrar em tuas fortificações? Em teus escombros? Seja sincero! Não penses que não tenho espírito forte para suportar uma recusa. Se quiseres, continua meu parto junto a teus olhos, se não, aborta-me agora. Imediatamente.Percebi que queres realmente ter teu filho meu. Eu, somente eu, percorro sempre pela mesma direção, pelo mesmo destino. Sou a racionalidade da insensatez e minha paranóia é a lógica de tua memória. Lembra-te que agora é teu filho meu o representante desta loucura, do absurdo, do delírio múltiplo. Dou-te, por fim, um alento, um sopro, uma falsa compensação por ter te deixado cortejar-me. Vê, eu como espelho, portanto, o término de minha autobiografia. O calor percorreu seu corpo. A dialética da carne e do espírito, o quente e o cinza, neutralizavam qualquer atitude. Não havia mais desejo, somente instinto. Não possuía ânsia, apenas necessidade. Os sentidos aguçaram-se aguardando a própria embriaguez. Tudo agora era seco, todo movimento era mecânico. A última imagem antes da cegueira. Apoiou então todo o peso do corpo sobre os calcanhares e deixou o fardo distribuir-se sobre a totalidade da sola de seus pés. Caminhou, pé ante pé, iniciando pelo direito até a estante elevada por três sustentáculos de madeira maçaranduba marfim. Retirou o livro que o era necessário com movimentos firmes e precisos da mão esquerda. Voltou a apoiar-se sobre os calcanhares, agora para girar o corpo em sentido anti-horário, e retornar, pé ante pé, novamente iniciando a trajetória com o membro direito. Percorrido o caminho de volta, sentou sobre a poltrona onde mergulhou numa catarse profunda. Abriu o livro. Passou sem dar importância à capa, contra – capa, dedicatória, sumário e introdução. Página 8: ...

Escrito por Armando Quiproquó.



Uma porcaria, como alguém paga R$800 por um lixo desses?! O que eu estava lendo quando escrevi essa merda toda verborrágica?! Mas, tudo bem, o passado as vezes é o melhor que nos resta, num texto velho dos idos de inocência.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mulheres

Ian
era
um cara legal

mas
amarrou o amor no pescoço

e
n
f
o
r
c
o
u

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Agora vou viver as coisas novas que também são boas", disse Belchior

“Compadre, nem te conto, anteontem mataram um punhado meu”.

“Mas, meu velho, como foi que isso aconteceu?”.

“Foi morte matada, de faca afiada, aqui, no coração”.

“E não doeu?”.

“Só dói, compadre, e doeu”.

“Mas e não morreu?”.

“Sim, compadre, mas morreu ele e sobrou eu”.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dois Parágrafos

Certos dias, aqueles que ficarão na memória até o momento de descer à tumba, você acorda de um porre desgraçado, depois de uma noite desgraçada, acende um cigarro, percebe que ainda são oito da manhã e o sono embruteceu como sua saliva e seus sonhos, sente a dor de cabeça reverberar aquela maldita angústia e percebe que, no fim das contas, você está vivo, caralho, o sol está lá fora e há uma porrada de possibilidades estúpidas pra você afogar sua estupidez, junto com seus amigos estúpidos, uma outra garota estúpida e seu estúpido coração romântico, sempre pulsando estupidamente.

É como Belchior me disse hoje de manhã: “Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. Nem fodendo!


sábado, 14 de novembro de 2009

Tua

um dia, meu amor, vou para vida em linha reta
caminhar em tuas pernas

pra lembrar da curva tua
e nessa estrada sem esquina
untar o universo com a tua na minha saliva

e no fogo úmido e úmido de tua vagina
assear minha fantasia