quarta-feira, 2 de junho de 2010

Lá I

queria um apartamento para guardar minha tristeza
e na sala de estar com meus lamentos solitários
carregando nos braços velhos amores doídos
presentes
passo por passo nesse corredor espiral
até a última noite na cama no centro
do quarto pequeno
e nos lençóis destas saudades
sonhar novos romances
ainda tão e tão distantes

ainda abro estas janelas
de vidros embaçados
para ventar nossas cortinas
de mentiras de seda as lembranças
costuradas nessas tranças
de inseparável agora
de portas fechadas
por chaves misteriosas
e seus cadeados impossíveis
esperando a paz raiar
ao amanhecer mais um dia
nos armários vazios de futuro
nos cobertores sem perfume
no fundo escuro das gavetas
fundas e escuras

na dor do tempo
que sobe as escadas
com sua navalha no peito
gritando por mais
mais
bêbado
triste
por um pouco
só um pouco
de sossego
destas histórias e destes medos
em que somos e sempre somos
inseparáveis companheiros
de um mesmo e intenso
apaixonante
apaixonante enredo
que começa e termina
sem um sim

então
para nosso fim se enganar e perder
deixa eu ser o sol
que arde em você
por trás da nuvens cinzas
carregadas de muito cinza
que nublam nosso peito
e escurecem nosso olhar
e se a chuva dessa história desaguar
é pro nosso mar encher
na maré que vem e vai
de outros temporais
de agora estar de bem
na ressaca
na ressaca
de outro alguém
que pode ser um alguém mais

5 comentários:

Tertuliano disse...

Caralho! Casa comigo?

Anônimo disse...

Li tudo num fôlego só!

Junior Bellé disse...

Porra, que legal!

Dany Sales disse...

Podemos dizer uma ressaca de amor, pois relacionamento começa com pequenos golinhos...vão crescendo... virando grandes bebedeiras e terminando numa terrível ressaca, onde vc jura, jura, jura, que não fará de novo, que nunca mais vai beber!

Junior Bellé disse...

E quando você menos espera já está se embebedando novamente...